https://www.rafaelsilveira.com/art

entre amar ou odiar, você emulsifica
congela vulcões ativos
com apenas um daqueles "bons dias" protocolares
porém, arrepiantes
ostenta uma consistência invejada
digna de filas colossais por algumas frações
de sua produção de indulgência
puramente artesanais

derrete-se de propósito fazendo os emocionados
— ou simplesmente limitados de percepção feronômia —
acreditarem que tal fenômeno seja causado
pelo morno calor que emanam
economiza gentileza quando se depara
com esse maçarico inofensivo de pretensão
perto de seu inverno instransponível

poucos respiram além de seu zero absoluto
capaz de paralisar momentos preferidos
apenas movendo seus lábios gelados

distribui calafrios irreversíveis
sentidos eternamente
mesmo no mais rigoroso dos verões

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http://www.ximenaarias.com/

até a perfeição de seus disfarces ilusórios
não escondem as asas dos desejos compulsórios
quando você se distrai por menos de um segundo
elas já batem dando pequenos sorrisos ao mundo

onde foi que você deixou de ser quem era?
escolher o chão quando seu lar era a atmosfera?
colorir olhares cinzentos pode ser cansativo
faltam tonalidades para tantos envolvidos

sua essência não pode ser bebida em copos de plástico
goles inocentes não aceitam menos que o fantástico
todas as suas unidades de medida transbordam

e o caos fascinante de seu interior protegido
desaparece do primeiro até o sexto sentido
assim que seus fantasmas te acordam

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https://www.joeyguidone.com/

decore a sala
com refrões que não se repetem
ouvidos confortáveis
deixam o coração esticar os pés
aproveite a água potável
que enche os olhos
e acabe com a estiagem de emoções

quando timbres de voz criam cachoeiras
salva-vidas são dispensáveis

o som dos fios de cabelo
são cordas afinadas
uma ponte sonora
que apenas quem sabe tocar
atravessa
só que com a ponta dos dedos

de braçadas em seus versos confusos
encontro a Atlântida da canção
um mergulho sem prender a respiração
os pulmões aprendem a ter sede
quando o ar
é
úmido

melodias em fricção
numa maré que escala
arranha-céus

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Brunno Lopez

Um ilustrador de palavras que acredita que o amor não passa de um tapete voador que sobrevoa as misérias humanas.