Photo by Kinga Cichewicz on Unsplash

deslumbres raivosos
de desjejuns pouco apetitosos
te fazem ficar na cama
fazendo o que sabe melhor:
d r a m a

ponteiros preguiçosos
levemente rancorosos
se orgulham omissos
de atrasarem seus inadiáveis
c o m p r o m i s s o s

o sol matinal faz figuração
não aquece com convicção
faz sua pele implorar pelo verão

sem revoluções pra se esquentar
acostumou-se em congelar
criando uma beleza quase polar

beijos de tédio
da altura de um prédio
não curam a exigência
quando é sua consciência
que precisa de remédio

folheia o calendário
revisitando o aniversário
esquece de apagar as velas
prefere pintar aquarelas
enquanto parcela a vida no crediário

Demonstre sua devoção pelas palavrinhas inocentemente organizadas em poesia com seus aplausos carismáticos. Dizem que é indolor.
Dizem.

--

--

Photo by Aziz Acharki on Unsplash

se olhares pontiagudos te atravessarem
não culpe sua legítima desatenção
quando surpresa vira contemplação
deixe os medos passearem
os traumas esfarelarem
com a incontrolável pulsação

a arquitetura do convencimento
é o alicerce do interesse genuíno
para um coração tão alcalino
de elegante batimento
melhora com o tempo
quase um libertino

trago seu fôlego comigo
nada de abstrações enganosas
tampouco superestimadas rosas
a segurança do perigo
é seu passatempo antigo
pinta suas personalidades afrontosas

noites em claro pra assistir
luzes cortantes da madrugada
a epiderme poderosamente tocada
fazendo o corpo reagir
seria um souvenir?
ou só a sua confiança provocada?

Já afiou suas estrelas hoje?
Se sim, deixe suas palmas.
Se não, deixe também. Depois afie. É bom estar com o corte estelar em dia pra brilhar na vida de alguém.

--

--

Brunno Lopez

Brunno Lopez

Um ilustrador de palavras que acredita que o amor não passa de um tapete voador que sobrevoa as misérias humanas. [brunnolopez@gmail.com]